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sexta-feira, 2 de junho de 2017

CARTAS HELENA ROERICH (1929-1938) VOL I TOMO 1
CARTAS PARA A AMÉRICA







6.
11 de setembro de 1929

        Vou citar-lhes uma página do livro «Infinito». Esta página, com sua analogia íntima entre as sete manifestações cósmicas e humanas, ajudar-lhes-à uma vez mais a refletir sobre a seriedade dos acontecimentos.
       «Somente na tensão, somente quando todos os fios estiverem vibrando, a tarefa cósmica pode ser cumprida. Somente quando a tarefa assumir a forma tensa, pode acontecer o predestinado. Enquanto as bases do Cosmos sustentarem o firmamento por sua atração, a abóboda celeste pode resistir. Mas quando os fundamentos impedem a atração mútua, a abóboda está sujeita a tremores desequilibrados; assim, os fundamentos podem, ou afirmar, ou destruir a tarefa. Os fundamentos podem sempre unir as mais diversas energias. O Cosmos dirige suas energias de acordo com a polaridade. O negativo e o positivo dão a manifestação das combinações».
       Pensem sobre a profundidade do que foi dito, e não impeçam suas atrações mútuas; não provoquem o tremor dos fundamentos. Como é que vocês podem avaliar os resultados dos tremores? Após uma explosão parcial, novo fundamento pode ser colocado na parte destruída, mas com freqüência, uma simples explosão, pela força da detonação, atinge os lares mais próximos. A grande lei da analogia e semelhança está em toda parte.
       Vocês também devem lembrar-se de «...evitar transformar as forças úteis em um jarro de escorpiões» (Comunidade §261). Essa possibilidade foi prevista muito tempo atrás e mandou-se um aviso. Aprendemos como aplicar as indicações. Compenetramo-nos da seriedade do tempo atual. Cada leviandade está agora à beira do crime.
       Quando substituirmos o conceito de «Eu», que limita, pelo poderoso, criativo e alegre «nós», todas as possibilidades e a riqueza do espírito florescerão; nossa força será aumentada extremamente. As pessoas têm medo do conceito «nós». O «eu» pode sempre ser verificado, enquanto o «nós» é desconhecido e, portanto, ameaçador.
       O grande tempo previsto há muito, chegou. Vocês não o sentem em toda a tensão das explosões cósmicas e humanas? Toda a crosta da terra está tremendo, e uma grande mudança se aproxima. Desta vez, o que nos ameaça não é a cauda comparativamente inofensiva de um cometa, mas nossas próprias emanações, as quais, por sua discordância com as energias ardentes e superiores que se aproximam, podem evocar — ou melhor, evocarão — uma mudança inesperada. É bom, durante tais perturbações, estar na pedra sólida indicada, sob o Guarda-Chuva de Dukkar. Nossas tarefas encontrarão espaço sob esta proteçâo! Mais uma indicação:
       «Quando vocês criarem um novo degrau, quando Urano estiver juntando a sexta raça, aí então será necessário estar imbuído com o grande tempo afirmado, e todas as preocupações impeditivas devem ser abandonadas».
       Devemos dar as boas vindas a todos os que nos são caros, próximos em espírito; mas todos os destruidores, todos os que trazem a divisão, devem ser, ou expulsos, ou colocados em seus devidos lugares. Trabalhamos e criamos não para o auto-engrandecimento, nem para personalidades individuais, mas para o grande Bem Geral.
       E assim, lembrem-se do tempo sem precedentes, belo e ameaçador. Não se deve perder um só minuto! Fortaleçam a unidade com a toda sua força de espírito, e condenem ao ostracismo mais severo o conceito mesquinho do «eu».
       Envio a todos vocês as cordas do meu coração; que cada um de vocês encontre um ressonante.



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