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domingo, 6 de novembro de 2016

O CORPO
“...para ocupar-se consigo mesmo, é preciso conhecer-se a si mesmo; para conhecer-se é preciso olhar-se em um elemento que seja igual a si; é preciso olhar-se em um elemento que seja o  próprio princípio do saber e do conhecimento; e este princípio do saber e do conhecimento é o elemento divino. Portanto é preciso olhar-se no elemento divino para reconhecer-se: é preciso conhecer o divino, para reconhecer a si mesmo.” (FOUCAULT, 2006, p 89)

Mas de que corpo estamos falando?



O corpo entra em cena como determinante de nossa existência, a partir do qual se tece o sujeito por vias de sua própria experiência no mundo.

Lela Queiroz, em seu livro Corpo, Mente, Percepção (2009) afirma que o corpo _ entendido como mediação do sistema-mundo em tempo real e mente encorpada _ diz respeito a todos os processos que exercem algum tipo de papel na invenção do conhecimento, e colocam mente e corpo como processos co-evolutivos.

Ao contrário do dualismo cartesiano, corpo e mente não estão separados, mas, antes, formam uma unidade, um todo indissolúvel. Existem entre eles vínculos íntimos. O corpo pode ser considerado como nosso primeiro suporte de informação. Nosso ser e estar no mundo – corpo –  é permeado por uma infinita teia de signos e linguagens. Portanto, é constituído dinamicamente pelas mediações que estabelece através das trocas informacionais com o meio em que se insere e com outros corpos, numa relação complexa e evolutiva. Ao mesmo tempo em que nos apropriamos desta teia, nós também a construímos. O corpo em seus sentidos, abre-se para si mesmo, para o outro e para o mundo, fazendo notar que a interioridade só existe exposta à exterioridade, alertando que o palpar e o ver demandam um ser palpado e outro visto. Corpo e mundo estão em construção perpétua, na trama da reversibilidade, transitividade e irredutibilidade de cada um dos sentidos que configuram o corpo sensível.

Às voltas com o enigma que nomeamos corpo, estão saberes fracionados em disciplinas das mais variadas. Descobertas recentes em estudos das ciências cognitivas sobre o complexo cérebro-corpo-ambiente (DAMÁSIO, EDELMAN, LLINAS, THOMPSON) foram fundamentais para novas investigações acerca do corpo. Um dos seus diferenciais de abordagem nos estudos de percepção passa pela consideração do corpo como eixo principal da cognição e de passar a entender percepção como ação (GIBSON, THELEN).

Merleau-Ponty (2006) assegurava que, somente através dessa fenomenologia incorporada, voltada para os modos de percepção, é que aprenderíamos a verdadeira filosofia, aquela que nos permitiria rever o mundo, via corpo. Corpo cognoscente que, portanto, “é iniciação ao mistério do mundo e da razão”.

Ainda segundo Merleau-Ponty (2006):
por vias da percepção o sujeito torna-se o lugar das coisas, a percepção não ocorre primeiramente no mundo; não há um estímulo de fora que ativa o corpo por dentro; não se sente por uma ação exterior ao corpo; a categoria da causalidade não se aplica nesse sentido. O campo perceptivo é sempre atual e denota uma superfície de contato ou um enraizamento no mundo, um assalto constante à subjetividade, à lacuna que somos. O sujeito que percebe é o mundo percebido, o corpo é um sensível-senciente, isto é, sente-se além de sentir e ser sentido, é sensível para si mesmo – um visível que se vê vendo, um tocante que se toca tocando, um móvel que se move movendo.”

Não somos um corpo objeto como querem as ciências, somos um corpo habitado e animado pela consciência. Ao mesmo tempo, não somos uma consciência cognitiva pura, visto que esta está encarnada em um corpo. Não somos puro pensamento, porque somos corpo. Não somos objetos, porque somos consciência. Nega-se ai, mais uma vez, qualquer separação que pudesse haver entre corpo e consciência, tornando-se, portanto, corpo-consciência.

Merleau-Ponty (2006) afirma que o visível está prenhe de invisibilidade, não sendo eles contrários ou comparáveis. São direito e avesso, visível e invisível, sensível e senciente, como dois lados irredutíveis de um só Ser.

Helena Katz, filósofa, pesquisadora, professora, crítica e palestrante nas áreas de Comunicação e Artes, em seu estudo Do Que Fala o Corpo Hoje? publicado em Teologia e comunicação: corpo, palavra e interfaces cibernéticas (2011), afirma a co-dependência entre corpo e ambiente, gerando a impossibilidade de se pensar em um sem pensar no outro. Diz ela:
“A cultura “carnifica-se” no corpo. O que está fora adentra, e as noções de dentro e fora deixam de designar espaços não conexos para identificar situações correlatas. As informações do meio se instalam no corpo; o corpo, alterado por elas, continua a se relacionar com o meio, mas agora de outra maneira, por está transformado. Assim transformado continua suas trocas, que agora passam a ser outras. O meio vai sendo modificado e o corpo também, em processos co-evolutivos permanentes e inestancáveis e as noções de dentro e de fora ficam desestabilizadas.”(KATZ, 2011)

Mas de que modo o entorno se torna corpo? Diz Katz em seu estudo Por uma compreensão do Contemporâneo (2008):
“O corpo nunca existe em si mesmo, nem quando está nu. Corpo sempre é um estado provisório da coleção de informações que o constitui como corpo. Esse estado vincula-se aos acordos que vão sendo estabelecidos com o ambiente onde vive.”(KATZ, 2008)

O corpo está inserido em um contexto. Porém a noção de contexto também é variável. Contexto inclui noosfera, sistema cognitivo (mente, pensamentos), mensagens que fluem paralelamente, memória de mensagens prévias que foram processadas ou experienciadas e, sem dúvida, antecipação de futuras mensagens que ainda serão trazidas à ação, mas já existem como possibilidade.  O contexto em que algo acontece nunca é passivo. Katz afirma que o ambiente no qual toda mensagem é emitida, transmitida e interpretada nunca é estático, mas sim contexto-sensitivo. Que trabalha em correlação com o corpo, no tratamento do fluxo de informações permanente que os comanda. Afirma ainda que o transito de trocas é tão intenso e frequente que impede o uso do verbo “ter” e pede pelo verbo “estar”, pois o corpo é um estado, apenas um estado dessa coleção de informações que vai mudando. Capturadas pelo nosso processo perceptivo, que as reconstrói com as perdas habituais com as perdas habituais a qualquer processo de transmissão, as informações passam a fazer parte do corpo de uma maneira bastante singular: são transformadas em corpo. Trata-se do processo de embodiment(10): são as interações entre corpo e mundo.(THELEN, Ester).

Se vamos transformando o mundo em corpo, há que atentar para e zelar pelo que vamos colocando no mundo, pelas atitudes que tomamos e pelas que não tomamos, uma vez que ambas marcam uma diferença nas transformações que estão sempre em curso.

A noosfera fala sobre uma atmosfera de trocas permanentes de informações que se aproximam e se amplificam por afinidade, reforçando-se e tendendo a borrar as próprias delimitações, produzindo uma plasticidade de fronteiras não controlável. É um traço evolutivo.

Katz diz que o homem esta diretamente implicado naquilo que ele observa, uma vez que a matéria se transporta no trânsito natureza – cultura – natureza _ cultura..... Não há melhor lugar para deixar explicito o tipo de relacionamento existente entre natureza e cultura que o corpo humano.

Nosso corpo é a porta de entrada do conhecimento. Idéias e emoções estão codificadas como informação nos memes (Dawkins, 1976) como replicadores de informação cultural, análogo ao gene. Pensamento e expressão estão misturados no movimento de um corpo que dança. Uma idéia (genótipo) se cristaliza no corpo (fenótipo) por fazer dele seu fenótipo estendido.

“Uma vez que os memes não vêm embrulhados por instruções para sua replicação, devem depender do padrão do nosso cérebro para fazer isto por eles. Trata-se de um estado de dependência que favorece o seu potencial proliferativo porque a máquina do cérebro constrói e continuamente atualiza modelos mentais do mundo para aumentar a assimilação e a implementação de memes e suas descendências.” (Gabora, 1997,20)

O meme faz parte da comunidade interpretativa que o fortalece ou o descarta conforme sucessivos acordos de sobrevivência. Isso significa que, quando selecionado, seu uso o torna recorrente, de tal modo que fica favorecido pela coletividade, e se espalha rapidamente por contaminação. Quanto mais repetido for, mais se acredita nele e mais aceito fica. A força de proliferação de uma idéia anda junto com a sua redundância e sua promoção como verdade metafórica. Esta é a atmosfera da noosfera, a atmosfera onde habitam e se replicam os memes.

Se conceitos estão fisicamente codificados no cérebro, como memes, e enraizados no corpo como seus fenótipos estendidos, nossos cérebros e corpos podem mudar _ memes são evolutivos. Por ser uma caracteristica estética de características singulares no trato do movimento, a dança pode contribuir no desvendamento dos modos de ‘manifestar informações no corpo’.


 (10) embodiment: incorporação, corporificação, encarnação.
O CORPO QUE DANÇA

“O fim principal a ser proposto para si próprio, deve ser buscado no próprio sujeito, na relação de si para consigo”
FOUCAULT, M. História da sexualidade: o cuidado de si. Ed. Graal, Rio de Janeiro,  1985.

Lela Queiroz em Corpo, Mente, Percepção (2009) afirma que o corpo atua com dispositivos sensores que captam sinais no ambiente, externos, e respondem com ações capazes de lidar com os estados internos. É assim que otimiza ou impossibilita sua sobrevivência.

O corpo que dança, o corpo em movimento, acessa uma classe especial de linguagem onde o mais tênue impulso de sensação já vem acompanhado por sensações cinestésicas. Possibilita contato com o inconsciente cognitivo, cujo entendimento modifica o modo como lidamos diretamente com o corpo e modifica o modo como percebemos o mundo a nossa volta, as coisas que estão envolvidas, as correlações de nossas ações, gestos, atitudes e comportamentos.

No corpo, movimento é percepção. No corpo comunicador, o movimento é a condição da comunicação. O que instaura a comunicação no corpo é o movimento. O movimento é informação, o cérebro não é apenas o controlador do movimento.

A arte da dança é aquela que formula com o corpo as suas hipóteses especulativas sobre o mundo. Uma verdade interior (invisível) é expressa (tornada visível) pelo corpo que dança. A dança traz para a luz algo guardado em algum ‘quarto escuro’ do corpo. Uma informação muitas vezes ainda não acessada é trazida à tona pelo corpo que dança para ser conscientizada por ele. Não é uma expressão qualquer, mas é um ‘poderoso discurso confessional’ que por si só se legitima. Este corpo que dança a que nos referimos, dança, acima de tudo, para si. Por si e para si. Com diz Foucault (1985):

O fim principal a ser proposto para si próprio deve ser buscado no próprio sujeito, na relação de si para consigo” (FOUCAULT, 1985, p.69)

Esse trânsito entre o dentro e o fora diz respeito a todas as instâncias do corpo, e o cérebro seria o comandante principal das ações desse corpo situado num contexto irrigado por informações plurais, capazes de promover novas percepções para velhas questões. 

Para Katz (2003), a indeterminação do cérebro é sua força maior, pois, assim, ele se adaptaria ao corpo onde se encontra. Daí a idéia de processo, evolução e desenvolvimento constante e complexo. A co-evolução do cérebro daria, portanto, ao corpo o mérito das conexões para o entendimento das relações entre natureza e cultura.

Residiria nessa afirmação nossa responsabilidade na conformação de nosso corpo, através da seleção das “coleções de informação” em que desejamos nos “colar”, pois, da qualidade e variedade dessas informações dependeria, em certo grau, nossa própria constituição, influenciada também, obviamente, pelos determinismos biológicos e forças sociais. Ou seja, se as mudanças biológicas de nosso corpo são da ordem do determinado e ocorrem de forma extremamente lenta, nossas ações de percepção da informação, ao contrário, são rápidas, plásticas e transformadoras do corpo e do sujeito.

Somos seres moventes, em movimento e implicados em um mundo de movimentações. Tudo está em fluxo. Como afirma Helena Katz (2003):

“a dança é o pensamento do corpo”
para compreender a dança, precisamos de olhos que vejam aquilo que não porta visualidade plena.”

Para a autora, o corpo está em constante evolução e constitui-se em uma mistura de determinismos e aleatoriedades, isso porque ele opera de acordo com suas capacidades biológicas e altera-se em comunhão com o meio em que está inserido. Esse movimento do corpo, em sua relação com o espaço, estaria presente já no embrião humano e seria inestancável e permanente no curso da vida.

Katz (2003) corrobora com a visão já esboçada da relação evolutiva entre organismo e meio, na qual homem e natureza co-evoluem, e é sob essas circunstâncias que ela postula o corpo como mídia básica dos processos de comunicação da natureza. Esta abordagem propõe, portanto, o ser vivo como processador de informação entre o ambiente circundante e seu interior.

As transformações desses processos informacionais seriam uma exigência da maior complexidade da vida, sendo o corpo um lugar privilegiado, no que diz respeito à explicitação da evolução e do relacionamento entre natureza e cultura.

O corpo que dança, dança as improvisações do movimento, ou seja, movimentos não são coreografados ou pré-estabelecidos, acontecem em um plano de instantaneidade não programada e não repetida e nascem de um momento único na confluência dos fluxos. São movimentos criados instantaneamente, a partir das informações percebidas de forma intuída, inspirada e que jamais se repetirão.

Em que medida são informações ‘puras’ ou fruto do envolvimento da noosfera? Que tipo de informação está sendo acessado? Que meme está sendo replicado? Poderíamos dizer que não importa a origem do que inspira o movimento, até porque difícil será identificá-la. O importante é sentir e manifestar na dança a força presente. A dança desdobra-se continuamente entre o ato e a potência, mobilizando sua própria potencialidade enquanto linguagem, sua dançabilidade em sendo dança. O que a particularidade gestual de um corpo comunica é sua própria dançabilidade, ou seja, a potência de o movimento tornar-se dança, tornar-se linguagem.

A dançabilidade liberta o corpo que dança, das exigências da representação e permite uma experiência de dança que aponta para a legitimidade do movimento e dos gestos. Assim, garante à dança potência e subterfúgios para dizer de si mesma, sem a necessidade de dizer de algo e sem se despregar do corpo a qual pertence. Assim a dança, enquanto linguagem que se torna acontecimento, pode nos auxiliar na revelação desse campo de forças e sentidos.

Neste processo, a ação do tempo, do acaso, do aleatório e do imprevisível sempre estão presentes. O acaso pode introduzir ou reafirmar na dinâmica do corpo que dança, um modo de dialogar com o que está além do universo criativo ou referencial do dançarino, ou seja, com aquilo que ele não alcança, ao menos de forma consciente. Considerando que, em contrapartida, toda resultante desse diálogo passará por seu crivo, consequentemente, sua base social, cultural ou psíquica pode influenciar a condução do processo ou a aceitação dos resultados. O acaso é considerado então, como exercício de liberdade criativa que acolhe a tensão de transitar entre as fronteiras do controle e do descontrole, ou ainda, do previsível e do imprevisível. Perpassa por estimular procedimentos moldados na aceitação da incerteza, articulando uma maneira particular de integrar experimentação, espontaneidade e descoberta, sem submetê-los, a condições ou compromissos associados a resultados pré-estabelecidos.

Laban, (Rudolf Von Laban (1879-1958), eslováquio, bailarino, coreógrafo e considerado um dos mais importantes teóricos da dança do no século XX que buscou identificar os princípios inerentes ao movimento, afirma que o movimento é dançado quando “a ação exterior é subordinada ao sentimento interior”, abrindo no espaço a dimensão do infinito que compõe o tecido da dança. O dançarino pode ser considerado aquele que medita em movimento, sua alma está onde seu corpo está, e seu pé está onde sua alma está. A arte de dançar é o meio de tornar visível este jogo de forças invisível.

Somos corpo do mundo, pois a ele pertencemos. E somos corpo no mundo, pois nele agimos. E de que forma os movimentos do mundo se enredam aos nossos movimentos no mundo?

A dança se faz em teia, portanto pede conhecimentos plurais para ser investigada.

(serão expandidos estudos do BMC – Escola Corpo & Mente, Movimento e Contato – procedimentos por meio do contato e movimento, adentrando as camadas do organismo pela pele, por desenvolvimento evolutivo)












TECNOSFERA


“Tudo está relacionado ao corpo, como se ele tivesse sido redescoberto, depois de ter sido esquecido por muito tempo; linguagem do corpo, consciência do corpo, liberação do corpo, são senhas.” STAROBINSKI, The natural and literary history of bodly sensation, p 353

Para construir um discurso sobre o corpo, é preciso levar em conta o mundo que produzimos e habitamos. A humanidade vive em tempos de tecnosfera. As radicais transformações pela quais está passando devido ao desenvolvimento acelerado da tecnologia e ao surgimento de novos campos de pesquisa _ como a Nanotecnologia, Neurociência, Manipulação Genética, Tecnologia da Informação _ interferem radicalmente no sentido do que é ‘natural’, criando quase que uma nova natureza para o ser humano: o transhumano. Esta esfera da Inteligência Artificial, com uma rapidez surpreendente, traz cada vez mais apuradas tecnologias convergentes, que interconectam tudo e todos através da rede (internet) e de sistemas ubíquos (internet das coisas). Um sistema de intercomunicação artificial vai se estabelecendo de forma cada vez mais aprimorada em todo o planeta. A surgente realidade do ciborgue põe em xeque a ontologia do humano, nos instigando ainda mais insistentemente a nos perguntarmos quem somos e para onde vamos?

Na Antropologia do Ciborgue(1991), Donna Haraway analisa o surgimento das inúmeras ciber-tecnologias _ restauradoras (permitem restaurar funções e substituir órgãos e membros perdidos); normalizadoras (retornam as criaturas a uma indiferente normalidade);  reconfiguradoras (criam criaturas pós-humanas); melhoradoras (criam criaturas melhoradas em relação aos padrões humanos) _ que, afetando os dois tipos de ‘seres’ (humanos e trans-humanos), contribuem para confundir suas respectivas ontologias:
“Implantes, transplantes, enxertos, próteses. Serem portadores de órgãos ‘artificiais’. Seres geneticamente modificados. Anabolisantes, vacinas, psicofármacos. Estados ‘artificialmente’ induzidos. Sentidos farmacologicamente intensificados: a percepção, a imaginação, a tesão. Superatletas; Supermodelos. Superguerreiros. Clones. Seres ‘artificiais’ que superam as limitadas qualidades (pelo menos as conhecidas) e as evidentes fragilidades dos humanos...Biotecnologias. Realidades Virtuais...Bit e Bytes que circulam indistintamente entre corpos humanos e corpos elétricos, tornando-os igualmente indistintos: corpos humano-elétricos. (TOMAZ,Tadeu, pag 12)

Esta conjunção entre o humano e a máquina também se revela num nível mais abstrato, “mais alto”, traduzindo-se numa grande confusão entre ciência e política, entre tecnologia e sociedade, entre natureza e cultura. Não existe nada que seja “puro” neste total e inevitável embaraço, que só um entendimento a partir das teorias da complexidade pode tentar decifrar.

Aquilo que caracteriza a máquina nos faz perguntar aquilo que caracteriza o humano. De que forma o ser humano está utilizando seu poder de criar que lhe é inato? Qual poder reside no pensamento humano? Como o desenvolvimento da Física Quântica contribui para o melhor entendimento de quem somos em essência e de como efetivamente suportamos o impacto do mundo em que estamos submersos? O que é o corpo, o que buscar quando o colocamos como objeto de estudo? Como a Filosofia através da apreciação do corpo, reflete sobre o ser no mundo? E por vias da semiótica como pensar o corpo _ dispositivo que opera de modo complexo _ como dispositivo em relação à informação visível e invisível? E o corpo cibernético neste processo de transformações vertiginosas e continuas como novo estatuto do corpo humano?

São questões presentes na tecnosfera como fruto de sua crescente ramificação a partir de extensões tecnológicas e replicações resultantes da decifração do genoma.

A cibercultura traz com ela transformação acelerada, plugada, abrangente, que reconfigura o espaço, o tempo, o ritmo e caracteriza uma era de construção e desconstrução, levantando pontos de interrogação nos mais variados ambientes e nas relações de interação entre ferramentas tecnológicas, cultura e sociedade.

O ciborgue nos força a pensar não em termos de “sujeitos”, de mônadas, de átomos ou indivíduos, mas em termos de fluxos e intensidades, tal como sugeridos, aliás, por uma “ontologia” deleuziana. O mundo não seria constituído, então, de unidades (“sujeitos”), de onde partiriam as ações sobre outras unidades, mas, inversamente, de correntes e circuitos que encontram aquelas unidades em sua passagem. Primários são os fluxos e as intensidades, relativamente aos quais os indivíduos e os sujeitos são secundários, subsidiários.(Haraway, 2009)
     
      Podemos nos valer do estudo apresentado por. Graziela Andrade (4) que traz uma classificação realizada por Santaella, em Corpo e Comunicação (2004), estabelecendo sete classes de corpos, que considera mais representativas, e que podem ser tomadas como as tendências de evolução para este tema dos ciborgues, sempre em processo de transformação:

O corpo remodelado
Refere-se às manipulações da superfície do corpo para fins estéticos, é a construção do corpo através de técnicas de aprimoramento físico, que vão desde ginásticas, musculação, até os implantes e cirurgias plásticas. Remete ao corpo enquanto mercadoria, construído, desenhado e empacotado conforme padrões.

O corpo protético
Este é o corpo corrigido e expandido por próteses que têm a função de amplificar ou substituir funções orgânicas. O corpo é cyborg por sua característica híbrida: lentes corretivas e próteses dentárias, marca-passos, órgãos artificiais e implantes de chips. Diferente do corpo remodelado, o protético visa alterações no interior do corpo humano.

O corpo esquadrinhado
É aquele revirado pelas máquinas médicas em busca de diagnósticos cada vez mais precisos. Tecnologias que perscrutam intimamente o corpo humano e transformam-no em imagens que nos tragam informações. São as tomografias, ressonâncias magnéticas, angiografias, entre várias outras.

O corpo plugado
Diz-se dos usuários que se movem no ciberespaço através de computadores, aos quais seus corpos estariam plugados, para a entrada e saída de fluxos de informação. Haveria níveis diferentes de imersão, de acordo com a capacidade dos sistemas técnicos em cativar os sentidos do usuário e bloquear os estímulos do mundo exterior. Quanto mais submergidos os sentidos, mais imersos estariam os usuários. A autora apresenta as subclassificações por nível de imersão:
 • Imersão por conexão
É um nível mais superficial, o corpo se pluga através dos sentidos e a mente navega via conexões hipermidiáticas, enquanto navegamos pela Internet ou CD-ROM.
• Imersão através de avatares
É quando o internauta incorpora um avatar, criando uma figura gráfica que o represente no ambiente virtual. Dessa forma, há uma duplicação de identidade, que gera uma hesitação entre presença e ausência, estar ou não. Portanto, caracteriza um nível um pouco maior de imersão.
• Imersão híbrida
Quando os mundos produzidos virtualmente se encontram com os corpos humanos. É um tipo de imersão que vem sendo muito usado em performances e danças, onde se criam ambientes imersivos, visualizações em 3D, designs de interfaces, entre outros. Já é comum também em programas de televisão que utilizam paisagens virtuais como cenário para os apresentadores, misturando campos virtuais e presenciais.
• Telepresença
Exploram a ubiqüidade e a simultaneidade, relacionando-se ao sentimento de estar presente em um lugar físico distante. O corpo do usuário faz conexões com um sistema robótico que está distante e, através dele, experimenta um lugar onde não está.
• Ambientes virtuais
Esse é o maior nível de imersão encontrado, dá-se em ambientes virtuais com o uso de instrumentos sofisticados para entrada e saída de informações. Os instrumentos de saída conectam a ordem sensorial ao mundo exterior com o intuito de iludi-las, enquanto os de entrada monitoram os movimentos corporais dos usuários e suas respostas.

O corpo simulado
A existência desse corpo ainda não é totalmente possível, mas estudos e investimentos têm sido feitos nesse sentido. Trata-se de um corpo completamente desencarnado, feito de algoritmos e tiras de números. Ele poderia ser uma versão tridimensional de um corpo plugado transportado para outros lugares, corpos numéricos imaginários sem, necessariamente, representarem um corpo físico ou uma simulação, que mimetize apenas os processos dos organismos vivos e não a aparência física de um corpo.

O corpo digitalizado
Reporta-se a um projeto específico, The visible human, que promove a digitalização integral do corpo humano, a partir de dois cadáveres doados a National Library of Medicine (NLM). Os corpos, um masculino e outro feminino, passaram por diversos processos, que envolveram desde ressonância magnética, até a sua extrema dissecação em lâminas fotografadas digitalmente. Tal manipulação acabou por aniquilar a massa dos corpos, de tão tênues que foram as secções. Dessa maneira, os corpos transformados em dígitos podem ser desmontados, remontados e navegados pela ciência.

O corpo molecular
É o corpo manipulado pela engenharia genética, que chegou ao conhecimento público a partir da divulgação das experiências do projeto genoma. Essas polêmicas experiências vão desde os transgênicos, até a clonagem de animais e seres humanos.

Num certo sentido, a aventura descontrolada da tecno-ciência pode ser considerada na atualidade, o maior problema da humanidade. Pois depende da civilização que hoje depende dela (tecno-ciencia). Segundo Edgar Morin, “a crise da antroposfera e a crise da biosfera remetem-se uma à outra, como se remetem uma à outra as crises do passado, do presente, do futuro,” (MORIN,  2005 pg 94)

A conexão eletrônica é apenas a parte visível de toda conexão cósmica a que estamos submetidos. Não é por acaso a ligação de Teilhard de Chardin (5) (1881–1955) com o avanço das conexões tecnológicas atuais e sua compreensão por McLuhan( 1911-1980) (6) e Pierre Levy (7) (1956-).

Embora tenha falecido em 1955, antes mesmo da difusão da televisão por todo mundo e quando os computadores ainda eram paquidermes enjaulados em grandes centros de pesquisas e mega-empresas, Chardin percebeu que a tecnologia estava criando um “sistema nervoso para a humanidade, uma membrana única, organizada, inteiriça sobre a Terra”, uma “estupenda máquina pensante”. Teilhard de Chardin escreveu que “a era da civilização terminou e a da civilização unificada está começando”. Essa membrana inteiriça, a noosfera, era, naturalmente, a ‘rede inconsútil’ de McLuhan. E essa ‘civilização unificada’ era a sua ‘aldeia global’.



acessado em outubro 2016
(5) Teilhard de Chardin, estudioso da noosfera e criador do termo; ver item noosfera desta pesquisa.
 (6) McLuhan foi um destacado educador, intelectual, filósofo e teórico da comunicação canadense. Conhecido por vislumbrar a Internet quase trinta anos antes de ser inventada. Desenvolveu o conceito de ‘aldeia global’, como forma de explicar os efeitos da comunicação de massa sobre a sociedade contemporânea, no mundo todo.

 (7) Pierre Levy  é um reconhecido pesquisador das tecnologias da inteligência e investiga as interações entre informação e sociedade. Mestre em História da Ciência e Ph.D. em Comunicação e Sociologia e Ciências da Informação pela Universidade de Sorbonne, é um dos mais importantes defensores do uso do computador, em especial da internet, para a ampliação e a democratização do conhecimento humano.

quinta-feira, 27 de outubro de 2016


UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARANÁ SETOR LITORAL
LICENCIATURA EM ARTES . 2016
PROJETO DE APRENDIZAGEM
ANNAMARIA H. DE S. PIRES
Mediadora GISELE KLIEMANN
MATINHOS, outubro 2016
                                                                            
CORPO E NOOSFERA
Um estudo do invisível para o visível
No corpo que dança

      PROBLEMATIZAÇÃO
A repetição mecânica dos modelos de ser, de pensar, de agir, já cristalizados pela humanidade, definindo relações de poder e dominação que se espalham para as questões sociais, políticas e econômicas, e a pouca ou nenhuma ênfase dada para a construção de uma capacidade verdadeira de percepção de si mesmo, de auto-observação, de compreensão, de análise, de síntese, faz com que o poder de crítica da humanidade para o reconhecimento e a aceitação dos dogmas e ideologias, seja muito rudimentar em sua grande maioria, tornando esta humanidade uma ‘massa ignorante de sua história’, de suas circunstâncias e de si mesmo, e facilmente manipulável no que tange aos objetivos do poder dominador. 
A grande angústia da humanidade, que sem dúvida conduz aos maiores problemas existenciais da atualidade, é este distanciamento cada vez maior e mais crônico de si mesmo. O sujeito é estimulado e moldado desde que nasce, a se ocupar de coisas e situações fora de si mesmo. E com isto vai, gradativamente, construindo uma vida voltada para questões e preocupações externas. Esta angústia da humanidade, que vem gerando doenças e desajustes de toda ordem, pode ser decorrente da pressão interna pelo criar, pelo construir ‘de verdade’, através da manifestação da potência interna do ser.
É preciso investigar para entender melhor este processo. Através do paradigma da complexidade (incerteza, indeterminação, aleatoriedade, contradições), encontrar metapontos de vista que, pela atenção, auto-observação, experimentação, contribuam para o entendimento da auto-criação da realidade a partir de suas múltiplas interações.
E começar pelo que está mais perto, a partir do próprio corpo.
Somos corpo do mundo, pois a ele pertencemos. E somos corpo no mundo, pois nele agimos. De que forma os movimentos do mundo se enredam aos nossos movimentos no mundo?
OBJETIVO GERAL
Fazer um estudo a respeito do corpo como informação _ inserido a nível planetário numa ‘tecnosfera’ e a nível cósmico numa ‘noosfera’ _ do ‘corpo que dança’ como canal de expressão e auto-percepção nestes contextos e do ‘ato-reflexivo’ como síntese para a meta-morfose a ser vivenciada no dia a dia, como processo de evolução consciencial (ao ponto ômega).

  OBJETIVOS ESPECÍFICOS
Neste módulo do PA_ ‘o corpo que dança’, buscar entender nosso processo como seres moventes implicados em um mundo de constantes movimentações. Estudar a dança como expressão da originalidade do ser, se contrapondo de forma natural ao excesso de racionalismo que normatiza; analisar como se dá a abertura de um canal de comunicação interno-externo que traz à consciência especificidades a serem expressas que estão desconhecidos do sujeito, por não estarem conscientizadas e por isto mesmo, estão inativas, inoperantes, asfixiadas, imobilizadas; refletir sobre a criação de várias vias, intersecções, comunicações, ressonâncias, sinapses, que são descobertas e aprendidas através do corpo e podem posteriormente circular através da linguagem e da ação neste contínuo processo do trans-formar. No ‘corpo que dança’ _ dança acima de tudo por si e para si, em movimentos criados instantaneamente a partir dos fluxos conectados _ procurar identificar portanto, a condição do movimento como percepção, como comunicação, como informação, sua potência como linguagem e sua dançabilidade como dança. No processo de entender a dança como o “pensamento do corpo”, (KATZ, 2011), é preciso ‘olhos que vêm do invisível para o visível’.
Compreender em que medida a ARTE é o meio de tornar visível este jogo de forças invisíveis e forma de encontro ao mencionado Ponto Ômega.
Nos módulos posteriores do PA serão desenvolvidos estudos sequenciais para expansão do tema, focando o ‘corpo que fala’ (linguagem, semiótica) e o ‘corpo que vibra’ (som, ressonância, campos mórficos, física quântica).

 JUSTIFICATIVA INICIAL
Este estudo se justifica incialmente, pela necessidade do sujeito reconhecer e conscientizar de forma significativa, sua responsabilidade na conformação de si, do próprio corpo, na própria expressão mais afinada na vida dos recursos que traz, a partir do entendimento da própria identidade dentro do processo de evolução da humanidade (onde está _tecnosfera_ e para onde caminha _noosfera), numa teorização que, segundo MORIN (2013), se esboça pela possibilidade de uma ciência do devir. (sistemas complexos abertos ao acontecimento e experimentação). Justifica-se ainda, pela necessidade do sujeito reconhecer a seleção das ‘coleções de informações’ em que deseja se ‘colar’, pois, da qualidade e variedade dessas informações dependeria, em certo grau, sua própria constituição, influenciada também pelos determinismos biológicos e forças sociais. “Se as mudanças biológicas são da ordem do determinado e ocorrem de forma extremamente lenta, nossas ações de percepção da informação, ao contrário, são rápidas, plásticas e transformadoras do corpo e do sujeito” (KATZ, 2011)


 PROPOSTA DE DESENVOLVIMENTO
Numa visão evolucionista, adentrar num estudo inicial sobre:
Tecnosfera e Noosfera , que trazem a situação do tempo e lugar; de onde se fala, de que época, qual é a ambiência e consciência vivida pela humanidade. A ‘tecnosfera’ marca o momento histórico por que passa a humanidade, numa fase de transição paradigmática e de revolução epistemológica; tecnologia interligando e colonizando mentes e corações, cibercultura, midiosfera, cultura de massa e desconstrução da identidade; subjetividades despedaçadas, erupção da loucura. A ‘noosfera’, conduziria a humanidade ao Ponto Ômega (superconsciência), que, numa dinâmica atmosfera presente mas invisível, age sobre todos os seres humanos, e como ‘memes’ replica pensamentos, sentimentos, idéias, criações mentais, forjando um campo de força que a todos enreda, impacta e sugestiona. Força sinérgica maior do que a soma das partes.
O corpo como suporte ativo de informações em pleno fluxo; expressão da potência interna e como acesso a ela; como veiculo para o processo do criar, de ser no mundo; parte que interage com o mundo. O corpo como informação sempre em ação, percebendo, processando, assimilando e criando novas informações em trocas inesgotáveis com o meio do qual faz parte (tecnosfera, noosfera). O ato cognitivo é mediado pelo sentir, portanto uma cognição sensível. O corpo fala e participa ativamente da vida, sendo percebido e se auto-percebendo.
O corpo que dança, como meio de experimentação de um corpo-paradoxal que se abre a uma consciência-corpo. Vivência e conhecimento interno para que a informação-corpo emerja e possa ser conscientizada através do ato-reflexivo que busca respostas onde cada um, dentro de sua originalidade e singularidade, pode conceder a si próprio. A dança como um canal, uma ponte através da qual se manifesta o invisível, comunicando-se, assim, com o manifestado, com o homem.
O ato-reflexivo(1),que conscientizaria e auto-ensinaria a arte do diálogo sensível com a tecnosfera e a noosfera, evidenciando formas de navegação neste oceano de impactos e estímulos, de maneira a minimizar a condição de sujeição passiva em suas interações. A partir da informação do corpo revelada pela dança, a conscientização para uma meta-morfose, uma trans-formação evolutiva. Num marco de ruptura e autonomia deixaria surgir um percurso de inovação que compreenderia com mais abertura a própria realidade e permitiria o afirmar-se na diferença, na originalidade, na singularidade de cada um. A Arte como caminho ao Ponto Ômega da consciência unificada.
(1)Emergência de um paradigma complexo: consciência do corpo-sensível-informativo; dança-movimento como agente de trazer à tona; ato-reflexivo como reflexo de um novo estado consciencial na ação cotidiana; ciclo evolucionista que se repete em ação circular...

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
KATZ, Helena . Do que fala o corpo hoje? Teologia e Comunicação , Corpo palavra e interfaces cibernéticas, Paulinas, São Paulo, SP, 2011
MORIN, Edgar .O Método IV As Idéias: a sua natureza, vida, habitat e organização, Publicações Europa-America, Portugal, 1991.
QUEIROZ, Lela . Corpo,Mente, Percepção . Movimento em BMC e Dança . AnnaBlume Editora , São Paulo, SP, 2009.
ZILLES Urbano .Teilhard de Chardin e S. Boaventura: itinerário do Cosmo ao Ômega Petrópolis : Vozes, maio/1968.

Estudo completo clique aqui

quinta-feira, 14 de dezembro de 2023

 O CORPO FÍSICO


O corpo físico é esta maravilha que faz a síntese dos outros corpos e é o instrumento de manifestação e revelação de que lugar interior o ser está se expressando.

Relembrando:
o corpo etérico, depósito da memória, contém o plano de perfeição para aquela emanação de vida nesta encarnação;

o corpo mental é o corpo dos pensamentos e pode captar do corpo etérico suas vibrações;

o corpo emocional é o corpo dos desejos, sentimentos e é o grande ímã que atrai tudo o que o ser humano pensa, moldando e imprimindo na própria aura;

o corpo físico então, manifesta na materialidade _ através da resultante energética que o próprio ser imprime sobre os elementais construtores das formas _ tudo o que está vibrando em sua aura.

Em suma, este é o processo dos 4 corpos inferiores: o corpo físico revela, expressa, ‘como o ser está qualificando’ sua manifestação, coloca a descoberto como está o seu alinhamento interior.

Com que cor o ser está colorindo aquele raio de Perfeição emanado de sua Divina Presença EU SOU?

Portanto, no mundo da forma, deve-se reconhecer que as infinitas Energias de Deus tomam a forma das qualificações ativas do Homem feitas pela sua atenção e ação; e assim, o Poder torna-se congelado no mundo da forma, sendo a sua dimensão e potencial dependentes dos pensamentos e sentimentos dos indivíduos.

Serviço de Purificação
' Corpo Físico'
transmutando impurezas e desequilíbrios e fortalecendo as qualidades nas linhas deste corpo especialmente a Realidade Divina, a Visão Divina e a Vitória Divina.

'Os Tesouros da Luz EU SOU a Vitória'
Próximo Domingo as 9h30
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domingo, 6 de novembro de 2016

O ATO REFLEXIVO o que fazer com a informação

É o corpo que nos abre inicialmente a possibilidade de vivenciar qualquer experiência nesta realidade mundana em que nos encontramos.  Para nos conduzir ao ato reflexivo que integra cada vez mais consciência, no processo continuo da evolução.

Ato Reflexivo é o termo utilizado por Teilhard de Chardin em seu estudo sobre a noosfera, como etapa decorrente da reflexão, do pensamento síntese que antecede a meta-morfose, a trans-formação da ação. O homem à medida em que foi desenvolvendo a consciência aprimorou a capacidade reflexiva voltando-se cada vez mais sobre si mesmo. 

O fenômeno da reflexão é um dos atributos centrais que diferem o homem do animal. O ato reflexivo gera o aprofundamento, o conhecimento e possibilita a afirmação do ‘eu’. Ele é um dado que transforma e enriquece a natureza humana. A partir do passo reflexivo já não há uma simples “mudança de grau”  entre o homem e o animal, mas uma “mudança de natureza - que resulta de mudança de estado” . Teilhard afirma que esta transformação é de infinita “relevância porque somos reflexivos, não somos apenas diferentes, mas outros”. O ser reflexivo representa um avanço radical na evolução, ele cria um universo interior. A vida interior manifestada pelas diversas atividades do espírito (abstração, lógica, matemática etc) representa uma nova realidade, é um outro mundo que nasce. Diz ele que a reflexão

“é o poder adquirido por uma consciência de se dobrar sobre si mesma e de tomar posse de si mesma ‘como um objeto’ dotado da sua própria consistência e do seu próprio valor: já não só conhecer - mas conhecer a si próprio; já não só saber - mas saber que sabe”. (Teilhard de Chardin, 1965)

Saber que sabe, é a auto-consciência. Unificar o sensível, que chega como uma informação trazida pelo corpo que dança, em um sentido novo. É o ato reflexivo que conduz o sujeito a perceber as coisas de um modo singular, ou seja, ampliando suas possibilidades de significação e, com isso, abrindo-o para outros modos de ver e de ser.

Segundo o neurologista português Antonio Damásio em seu livro O Mistério da Consciência, a consciência é uma sensação constituída por sinais não verbais dos estados do corpo. A idéia da consciência como um sentimento de conhecer, condiz com o fato das estruturas cerebrais operarem com o vocabulário não verbal dos sentimentos. Damásio mostra que a capacidade do corpo para sentir estímulos e reagir aos seus próprios processos e ao meio, é a chave para o fenômeno da consciência. Procura entender como o organismo portador da emoção podia tornar-se ciente daquele substrato cerebral do sentimento, concebendo uma explicação para como o sentimento torna-se conhecido pelo organismo que o sente.

A experiência estética nos abre para o novo, o inédito, o único, para aquilo que “exige de nós criação para dele termos experiência” (Merleau-Ponty, 2005, p.187).

Ao comparar o corpo à obra de arte e ao situá-lo como fundamento primeiro do eu, que se descobre outro na experiência estética, Merleau-Ponty (2004, 2006) anuncia uma compreensão da subjetividade como devir, em uma estética da existência, na qual a própria vida pode se (re)criar. A descrição fenomenológica da percepção, empreendida por Merleau-Ponty (2006), convida a um novo olhar sobre a subjetividade, onde o conhecimento de si e do mundo seja trazido não apenas pelo pensamento, mas através de manifestações da arte por ele protagonizadas, por exemplo, o corpo que dança, e possa atender à multiplicidade que constitui o ser humano.

Se no pensamento clássico a consciência era um fenômeno mental, uma operação do espírito, em Merleau-Ponty a consciência só emerge como ato reflexivo a partir do que é percebido pelo corpo. A subjetividade pode ser definida como a consciência de si, a autoconsciência. Para Merleau-Ponty (2006) existe uma consciência pré-reflexiva, que através da percepção corporal, conduz e possibilita um ‘ato reflexivo”.

Percepção (consciência pré-reflexiva) >>>corpo como lugar de um conhecimento originário do mundo e de si próprio >>>conhecimento ato reflexivo (consciência de si como pensamento extrato - síntese..)>>>>nova percepção (nova consciência pré-reflexiva)>>>>corpo como lugar de um novo conhecimento.....e assim sucessivamente numa relação circular

A subjetividade não é algo acabado, se constitui como processo, em sínteses provisórias, que se formam na medida em que o sujeito vivencia o sentido de si na relação com o mundo (conhecimento - ato reflexivo).