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sábado, 19 de março de 2016

Meras coincidências? Incidentes fortuitos?
TUDO É UMA QUESTÃO DE PERCEPÇÃO

Como diz Fayga Ostrower em ‘Acasos e Criação Artística’: 
“Meras coincidências? Incidentes fortuitos?" 
         "Mas não é assim que surgem os acasos significativos que de modo tão puramente circunstancial incendeiam a nossa imaginação? Talvez. E talvez seja mais do que apenas isto. Pensando bem, até parecem uma espécie de catalisadores potencializando a criatividade, questionando  o  sentido do nosso fazer e imediatamente redimensionando-o. Talvez contenham mensagens, propostas nossas endereçadas a nós mesmos. Não captaríamos, nesses estranhos acasos, ecos do nosso ser sensível?
...Aqui convém considerar o seguinte: para se tornarem “acasos”, os fenômenos teriam que ser percebidos por nós. Vale frisar este ponto, pois, na verdade, o próprio tecido de vida não é senão uma infinita teia de acasos. No contínuo fluir, há uma sucessão de eventos que, embora ocorrendo em conjunto, resultam de causas aparentemente desconexas entre si e também fora de nosso controle _ acasos sempre em relação à nossa existência individual. A cada instante nos chegam incontáveis estímulos de toda sorte: visuais, acústicos, táteis, olfativos, cinéticos, em sensações e situações das mais diversas. Seria humanamente impossível captar a totalidade dos eventos. De fato, permanecemos indiferentes à vasta maioria _ nem chegamos a percebê-los conscientemente e não lhes prestamos atenção. Registramos alguns apenas. Estes poderão tornar-se acasos.
         Há, portanto, uma seletividade interior em nós, que se manifesta através da simples percepção de um evento. Entretanto, mesmo entre os que forem percebidos por nós, fazemos certas distinções. Alguns eventos até que poderiam ser considerados coincidências em si curiosas. Mas enquanto não sentirmos que tais coincidências nos digam respeito de um modo ou de outro, ou contenham algo de particular que possa nos interessar naquele momento, ao tomarmos conhecimento delas, tão prontamente as esquecemos. Foram apenas casualidades.
         Outros eventos, porém, despertam em nós uma atenção especial. Sabemos imediatamente que eles não aconteceram “por acaso”. São acasos significativos.
         Antes de mais nada há o grande ACASO na vida de cada pessoa, que é a sua própria existência. É a personalidade da pessoa: na constelação de certas potencialidades, certas predisposições vitais diante do viver, certos dotes e inclinações, seu ânimo e também suas atitudes de caráter. Nesta unicidade de cada pessoa há o acaso existencial. Mas é uma acaso que irá se converter em contexto de NECESSIDADE para o indivíduo, pois suas potencialidades representarão forças inelutáveis, de cuja realização ele não poderá fugir sob pena de se sentir aniquilado em seu íntimo ser. São estas potencialidades inatas de cada um, que geram os impulsos poderosos a mover o indivíduo a vida inteira, numa busca de realização que se entrelaça com a busca de sua própria identidade.
...Há no ser de cada pessoa certas áreas de sensibilidade, a partir das potencialidades latentes, que serão ativadas pelos acontecimentos, transformando-se em enfoques para os próprios acontecimentos.
         Quando notamos um acaso significativo _ e pode ser um evento em si insignificante – ele é “reconhecido” de imediato. Este ato de reconhecimento se dá de modo direto ou com uma certeza absoluta, sem hesitação e sem etapas intermediárias de reflexão ou dedução intelectual, estabelecendo-se naquele momento uma correspondência, uma espécie de consonância com algo dentro de nós. E mais. No mesmo instante em que o acaso surge em nossa atenção, já o imbuímos de conteúdos existenciais, ligando-o a certos desejos e esperanças, a uma razão íntima e plenamente significativa para nosso ser.
         ...Sim, os acasos são imprevistos, mas não são de todo inesperados_ ainda que numa expectativa inconsciente, em termos de mobilização psíquica e receptividade.
         As pessoas não são passivas frente aos estímulos_ e não é qualquer estímulo que poderá tornar-se “acaso” ou “inspiração”. As pessoas estão é receptivas; receptivas a partir de algo que já existe nelas em forma potencial e que encontra no acaso como que uma oportunidade concreta de se manifestar.
         Por isso é que, ao procurarem realizar suas potencialidades, são as próprias pessoas que saem de si para irem ao encontro dos acasos. Dos seus acasos. Só seus. Não são acessíveis a mais ninguém."

(continua...)

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